Ler em férias… ensaio

uso incontrolado das aplicações técnicas da ciência, nomeadamente por padrões éticos que tivessem em consideração o respeito pela sustentabilidade da vida e do planeta Terra, levaram a uma incompreensão do que é a ciência.  Algumas posições mais fundamentalistas veem na ciência uma perda do mistério da natureza.

Porém, como defende Richard Dawking em Decompondo o arco-íris, “o sentimento de respeito deslumbrante que a ciência nos pode oferecer é uma das experiências mais notáveis da mente humana. É uma profunda paixão estética que tem  o seu lugar entre o melhor que a música e a poesia podem proporcionar. É verdadeiramente uma das coisas que fazem com que a vida mereça ser vivida” (Dawking, 2000, 10)

Publicado em 29/05/2014

 

Ler em Férias... Romance

«What a miracle is that out of these small, flat

rigid squares of paper unfolds world after world,

worlds that sing to you, comfort and quiet or excite you.

Books help us understand who we are and how we are to behave.

They show us what community and friendship mean;

they show us how to live and die.»

Anne Lamott

Quando anoitece, preenche-nos um sentimento de um dia bem conseguido.
O sol põe-se. Na plenitude de uma varanda debruçada sobre o mar, ouvem-se as cigarras e os grilos.
Com um romance nas mãos, entra-se no imaginário de olhos bem abertos, à procura da completude perfeita de mais um dia.
Publicado em 22/05/2014
 

Ler em férias… policial, fantástico, mistério e suspense

«You should never read just for "enjoyment."

Read make yourself smarter! Less judgmental. More apt to

understand your friends' insane behavior, or better yet, your own.

Pick "hard books." Ones you have to concentrate on while reading.

And for god's sake, don't let me ever hear you say "I can't red fiction.

I only have time for the truth."

Fiction is the truth, fool!

Ever hear of "literature"? That means fiction, too, stupid.»

 John Water

Suspende-se o tempo nas tramas do mistério, enquanto o sangue corre veloz. 
Esquecem-se as horas e os afazeres e apenas fica o desejo, contraditório, de avançar mais uma página, em direção ao fim, e o querer que a emoção da descoberta não termine. 

Por detrás da sombria natureza humana, capaz dos crimes mais hediondos, está a luz do castigo, a crença de que o mal nunca sairá impune.O detetive, ainda que contaminado, traz a luz pela qual se anseia, o fim. E tudo fica bem.

Publicado em 15/05/2014

 

Leituras de Verão....Contos

                                                                                  «Não há uma única forma de ler bem, apesar de existir uma razão fundamental para ler.»

Harold Bloom

 

São as histórias que nos fazem, é a fantasia que nos alimenta a alma, são as memórias que nos constroem. Mas somos nós que decidimos como queremos ser construídos e com quê. É por isso que somos humanos. 

Os contos, pequenas histórias maravilhosas, fantásticas ou realistas, num instante nos transportam para um mundo imaginário, quão breve nos devolvem à realidade, ou de imediato nos puxam para dentro de outro universo... Leituras convidativas à preguiça de verão, em breves instantes à sombra da esplanada, entre banhos de mar e carícias de sol… Prazeres breves, como os de um delicioso sorvete... 

 Isabel Bernardo / Leonor Melo

Publicado em 15/05/2014

 

 

O dia das mães, dia 11 de maio

maePara que não nos esqueçamos, lembremos através da voz do poeta Miguel Torga

Mãe:

Que visita tão pura me fizeste

Neste dia!

Era a tua memória que sorria

Sobre o meu berço.

Nu e pequeno como me deixaste,

Ia chorar de medo e de abandono.

Então vieste, e outra vez cantaste,

Até que veio o sono.

Miguel Torga

Publicado em 10/05/2014

 

 

A propósito do Memorial do Convento

“Juntam-se os homens que entraram hoje, dormem onde calhar, amanhã serão escolhidos. Como os tijolos. Os que não prestarem, se foi de tijolos a carga, ficam por aí, acabarão por servir a obras de menos calado, não faltará quem os aproveite, mas, se foram homens, mandam-nos embora, em hora boa ou hora má, Não serves, volta para a tua terra, e eles vão, por caminhos que não conhecem, perdem-se, fazem-se vadios, morrem na estrada, às vezes roubam, às vezes matam, às vezes chegam.” (Saramago, 2005, p.307)

Em Memorial do Convento, os homens são, de facto, como tijolos, simples peças da vontade megalómana de um rei e do poder inquisitorial. Quando não servem ou incomodam são eliminados e deles não rezará a História. Mas a História também não denunciará as vidas que se perderam e os sacrifícios vividos pela gente anónima que construiu o Convento de Mafra.

A epopeia da construção do Convento apresenta o seu herói, trágico e universal. Apesar de esmagado pelo poder instituído, este consegue encontrar uma energia renovadora no sonho e no amor.

Dos seus sonhos, a História também não falará. Cabe ao escritor a responsabilidade de reescrever a História para que esta se perpetue na memória dos homens: “ (…) tudo quanto é nome de homem vai aqui, tudo quanto é vida também, sobretudo se atribulada, principalmente se miserável, já que não podemos falar-lhes das vidas, por tantas serem, ao menos deixemos os nomes escritos, é essa a nossa obrigação, só para isso escrevemos, torná-los imortais, pois aí ficam, se de nós depende, Alcino, Brás, Cristóvão, Daniel, Egas, Firmino, Geraldo, Horácio, Isidro, Juvino, Luís, Marcolino, Nicanor, Onofre, Paulo, Quitério, Rufino, Sebastião, Tadeu, Ubaldo, Valério, Xavier; Zacarias, uma letra de cada um para ficarem todos representados (…). (Saramago, 2005, p. 250)  

Madalena Toscano

Publicado em 06/05/2014

 

 

No Feminino.... Dia da Mãe

“Mal entrei pela porta comecei a ouvir duas vozes estridentes a berrar por mim. Antes de ter tempo de desfraldar a bandeira branca e pedir tréguas, apanhei com a Margarida e o Rodrigo em cima, a falarem ao mesmo tempo. A pedirem não sei quê, mas a pedirem, sempre a pedirem. Será que não percebem que eu não sou de borracha e não consigo esticar-me para todos os sítios onde querem que eu esteja? De preferência ao mesmo tempo, como se Deus me tivesse dado o dom da ubiquidade. Isso foi ao Santo António, não a mim.”

Stilwell, I., Stilwell, A. (2001). 49233$00 de telefone: Diário de uma mãe/diário de uma filha (3ª ed.). Lisboa: Texto Editora.

O Boletim Bibliográfico nº 6 homenageia a escrita no feminino para quem soube, sabe ou saberá o que é ser mãe.

 


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