O dia das mães, dia 11 de maio

maePara que não nos esqueçamos, lembremos através da voz do poeta Miguel Torga

Mãe:

Que visita tão pura me fizeste

Neste dia!

Era a tua memória que sorria

Sobre o meu berço.

Nu e pequeno como me deixaste,

Ia chorar de medo e de abandono.

Então vieste, e outra vez cantaste,

Até que veio o sono.

Miguel Torga

Publicado em 10/05/2014

 

 

A propósito do Memorial do Convento

“Juntam-se os homens que entraram hoje, dormem onde calhar, amanhã serão escolhidos. Como os tijolos. Os que não prestarem, se foi de tijolos a carga, ficam por aí, acabarão por servir a obras de menos calado, não faltará quem os aproveite, mas, se foram homens, mandam-nos embora, em hora boa ou hora má, Não serves, volta para a tua terra, e eles vão, por caminhos que não conhecem, perdem-se, fazem-se vadios, morrem na estrada, às vezes roubam, às vezes matam, às vezes chegam.” (Saramago, 2005, p.307)

Em Memorial do Convento, os homens são, de facto, como tijolos, simples peças da vontade megalómana de um rei e do poder inquisitorial. Quando não servem ou incomodam são eliminados e deles não rezará a História. Mas a História também não denunciará as vidas que se perderam e os sacrifícios vividos pela gente anónima que construiu o Convento de Mafra.

A epopeia da construção do Convento apresenta o seu herói, trágico e universal. Apesar de esmagado pelo poder instituído, este consegue encontrar uma energia renovadora no sonho e no amor.

Dos seus sonhos, a História também não falará. Cabe ao escritor a responsabilidade de reescrever a História para que esta se perpetue na memória dos homens: “ (…) tudo quanto é nome de homem vai aqui, tudo quanto é vida também, sobretudo se atribulada, principalmente se miserável, já que não podemos falar-lhes das vidas, por tantas serem, ao menos deixemos os nomes escritos, é essa a nossa obrigação, só para isso escrevemos, torná-los imortais, pois aí ficam, se de nós depende, Alcino, Brás, Cristóvão, Daniel, Egas, Firmino, Geraldo, Horácio, Isidro, Juvino, Luís, Marcolino, Nicanor, Onofre, Paulo, Quitério, Rufino, Sebastião, Tadeu, Ubaldo, Valério, Xavier; Zacarias, uma letra de cada um para ficarem todos representados (…). (Saramago, 2005, p. 250)  

Madalena Toscano

Publicado em 06/05/2014

 

 

No Feminino.... Dia da Mãe

“Mal entrei pela porta comecei a ouvir duas vozes estridentes a berrar por mim. Antes de ter tempo de desfraldar a bandeira branca e pedir tréguas, apanhei com a Margarida e o Rodrigo em cima, a falarem ao mesmo tempo. A pedirem não sei quê, mas a pedirem, sempre a pedirem. Será que não percebem que eu não sou de borracha e não consigo esticar-me para todos os sítios onde querem que eu esteja? De preferência ao mesmo tempo, como se Deus me tivesse dado o dom da ubiquidade. Isso foi ao Santo António, não a mim.”

Stilwell, I., Stilwell, A. (2001). 49233$00 de telefone: Diário de uma mãe/diário de uma filha (3ª ed.). Lisboa: Texto Editora.

O Boletim Bibliográfico nº 6 homenageia a escrita no feminino para quem soube, sabe ou saberá o que é ser mãe.

 

Mês de maio… o mês do coração

mesdocoracao2Maio é o mês do coração. O mês em que nos alertam para os cuidados que devemos ter para não desenvolvermos doenças como a hipertensão. Porque o bater no coração é o sinal da vida.

No Coração, Talvez

No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração. 


José Saramago, em "Os Poemas Possíveis"

Publicado em 05/05/2014

 

Dia 3 de maio, dia Mundial da Liberdade de Imprensa

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Estar informado é uma das bases essenciais da cidadania ativa. Ler jornais e revistas, em papel ou em suporte eletrónico, é uma atividade a fazer todos os dias. Nas bibliotecas escolares do Agrupamento de Escolas Finisterra-Cantanhede podemos encontrar, entre outros, o jornal Público, as revistas Visão, National Geographic e  Ler. 

Publicado em 29/04/2014

 

1 de maio, dia Internacional do Trabalhador

1demaio

O trabalho é o que permite ao homem a transformação da natureza em cultura. O trabalhador é aquele que modela a realidade e a coloca ao serviço da necessidade de todos.Trabalhar significa criar, significa ser.                                                                                                                            

Um Ofício que Fosse de Intensidade e Calma

Um ofício que fosse de intensidade e calma
e de um fulgor feliz E que durasse
com a densidade ardente e contemporâneo
de quem está no elemento aceso e é a estatura
da água num corpo de alegria E que fosse   fundo
o fervor de ser a metamorfose da matéria
que já não se separa da incessante busca
que se identifica com a concavidade originária
que nos faz andar e estar de pé
expostos sempre à única face do mundo
Que a palavra fosse sempre   a travessia
de um espaço em que ela própria fosse aérea
do outro lado de nós e do outro lado de cá
tão idêntica a si que unisse o dizer e o ser
e já sem distância e não-distância nada a separasse
desse rosto que na travessia é o rosto do ar e de nós próprios

António Ramos Rosa, in "Poemas Inéditos"

Publicado em 29/04/2014

 

As bibliotecas dinamizam… Memorial do Convento

CasadosAfetos1

CasadosAfetos

 

 30 de abril

 Centro Paroquial S. Pedro

 

A companhia teatral Casa dos Afetos levará à cena a obra Memorial do Convento, uma adaptação da obra de José Saramago.

Estarão presentes alunos do ensino secundário de todo o concelho de Cantanhede.

  

 

 

Publicado em 29/04/2014


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